jeudi 24 décembre 2009

Faro meu


O inesperado à porta
cães selvagens à espreita
me resguardo ao vento, brisa que me sustenta
desenrolo os nós das expectativas
apesar de previsível, sucumbo!
Redemoinhos emotivos, perigo farejado
me entrego e fujo.
Também posso ser selvagem por natureza.



por Tatiares

vendredi 4 décembre 2009

As cores do cinza

Do imenso todo azul do céu ao crepúsculo refletido em fitas aleatoriamente listradas. A cor das nuvens outrora cinzas, agora reluz a força vibrante do se querer colorido do se querer belo. Tons coloridos como tecidos da Caxemira se sobressaltam ao horizonte entre o azul e o avermelhado, o rosa mais vivo enrubrecido num dégradé envioletado que até o cinza se torna cor!
foto: por Tatiares

samedi 7 novembre 2009

Fragmento d’água viva – Clarice Lispector

‘...Mas, eternamente é palavra muito dura : tem um « t » granítico no meio. Eternidade: pois tudo o que é nunca começou. Minha pequena cabeça tão limitada estala ao pensar em alguma coisa que não começa e não termina ― porque assim é o eterno. Felizmente esse sentimento dura pouco porque eu não agüento que demore e se permanecesse levaria ao desvario. Mas a cabeça também estala ao imaginar o contrário: alguma coisa que tivesse começado ― pois onde começaria? E que terminasse ― mas o que viria depois de terminar? Como vês, é-me impossível aprofundar e apossar-me da vida, ela é aérea, é o meu leve hálito. Mas bem sei o que quero aqui: quero o inconcluso. Quero a profunda desordem orgânica que no entanto dá a pressentir uma ordem subjacente. A grande potência da potencialidade. Estas minhas frases balbuciadas são feitas na hora mesma em que estão sendo escritas e crepitam de tão novas e ainda verdes. Elas são o já.’

vendredi 6 novembre 2009

i-ria

Às vezes quero tanto, quero tudo... algumas vezes nem quero assim... em outras, não quero nada do mundo, nem de ninguém, nem de mim... simples assim! Não quero, não vou, não me chamo, não me ligo, se pudesse nem me via, passaria por mim e cumprimentaria daquela forma que muitos fazem na presença de um elevador, aquela coisa sem som de palavras, só um ‘hrum’! Seria grotesco de minha parte, mas num dia assim, até entenderia, porque não queria mesmo. E seguiria, desviando dos outros e de mim, ficaria inerte no meu turbulento mundo interior, disfarçaria para não me reconhecer, ficaria na companhia de livros, pensando no mundo além de mim e ouviria música para sentir o mundo através de mim. Assim, descansaria do peso de mim.
por Tatiares

dimanche 1 novembre 2009

Luá


Lua deserta, solitária pedra lapidada
dependurada a girar alucinada
pendula aterrada.

Figurante reluzente
surgida pós poente
remanescente: sobrevivente!

Deserto do pó ao universo dará
em órbita constante seguirá
eternamente só estará.
por Tatiares

vendredi 23 octobre 2009

Meu alheio

Olhares fugitivos,
peito comprimido,
a mente vaga num espaço em expansão... expansão das percepções do alheio, retração do compartilhado, questionamentos extraviados a passear num universo pouco conhecido, talvez por não se querer conhecer o denso fluido que também constitui o alheio, o alheio a mim, que é do outro e, talvez alheio ao outro.
O meu alheio, o que de mim escondo, é igual a sutil negligência do outro frente ao próprio alheio... e me desvio dos sensores, sejam os meus, os alheios, os compartilhados, os restritos, os explorados, os desconhecidos, os secretos e os conectivos. O que procuro? O puro... inclusive de mim.
por Tatiares

mardi 22 septembre 2009

Um instante - Ferreira Gullar

Aqui me tenho
Como não me
conheço
nem me
quis

sem começo

nem fim

aqui me
tenho
sem mim

nada lembro
nem sei

à luz presente
sou apenas um
bicho
transparente

samedi 29 août 2009

A raiva


O sentimento frio
aquece a pele
encendeia os olhos
torna os lábios avermelhados
as veias salientes
a garganta seca
os pulmões atrofiados.
Enquanto as gotas
rolam fervendo.
Mas ainda há o frio.
por Tatiares

dimanche 23 août 2009

Manifesto conectivo


Às vezes queremos a presença do outro, às vezes não queremos. Às vezes sentimos que devemos nossa presença ao outro, por amor ou culpa. Às vezes sentimos falta do passado, por nostalgia ou solidão, insegurança ou frustração.

Acredito que a presença do outro só é plena se for pura, livre de culpa, cheia de escolha, sem bengalas para as dores emocionais, em busca de um momento alegre, sem resgates ou correções, repleto de recepção, sem sombras dos erros ou cobranças, dando espaço ao amor, que é o que de fato importa nesta vida, pois só sou o que sou, o outro apenas é o que é, e o que existe no meio, no espaço entre eu e o outro, não é nem de um, nem do outro. É a busca do compreender ... do amar ... do admirar.

Às vezes esse meio, esse entre as existências de si e do outro é construído, porém demanda um esforço em conjunto ... uma ponte além do apenas existir.
por Tatiares

mercredi 12 août 2009

vendredi 24 juillet 2009

Os sociáveis

Os de boa índole

indolentes

Buscam a interseção

entre a mediocridade

e a amizade

felizmente

apenas entre eles.

por Tatiares

mardi 21 juillet 2009

Aquário par de peixes

Um escorrer constante de um curso natural, fluxo vital a carregar pedras e fragmentos de coisas ainda vivas, árvores e folhas, entes e micro-entes, peixes e exo-vertebrados, barcos de gente e de papel.

Curso vital revitalizado a cada jorrar incessante, o mover frente à inércia, a vontade frente às pedras, o vivo frente às coisas.

Às vezes movimentos de turbulência desse existir apesar dos fatos, da solidão apesar das regras; o falar das águas a mostrar força em sempre ir, continuar, não se conter, escorrer, jorrar e dançar com ser par: o ar.

por Tatiares

mercredi 15 juillet 2009

A busca


O alguém busca ser
O ser busca alguém
O ninguém busca todos
O todo é ninguém.
por Tatiares

A luta corporal d'O mar intacto - reverência à Gullar


O imenso azul à morrer e viver

Naufrágio voluntário para leveza ter

Das praias, o mar receber

Do ente, tédio em ser.


A imensidão azul à voar e viver

Queda livre para se conhecer

Do sol, girassol à fenecer

Do assombro, a verdade ser.


O blue do imenso ser à viver

Vida que toda morte teima em ter

Do amor, orquídeas à florescer

Das lutas, todo prazer em viver.

por Tatiares

samedi 11 juillet 2009

O passar dos passos


Roda gira pedal pedala pés
que moem o ar
como os moinhos de vento
que ventam como os furacões
que furam como os aviões
que voam como os pássaros
que passam como
o passo a passo
e a cada passo
um passa.
por Tatiares

lundi 29 juin 2009

O caso : Drogaria-celestial-dominical

Uma esforçada quebra da inércia para uma breve espairecida, considerando a passagem em uma drogaria para a compra de vitamina C e placebos para dor de garganta, de repente se transforma em um momentâneo desespero: Pensei que poderia ser notícia do jornal municipal ao escutar um sujeito entrar na drogaria gritando “Onde é o caixa!”.

Já não bastava a minha esforçada quebra da inércia dominical, um toque inflamatório das amígdalas, associada a uma leve dificuldade de enxergar as coisas de uma forma nítida em função do excesso de luz artificial daquele lugar todo branco-celestial ― a idéia das drogarias deve ser essa mesma, mas não me agrada! Agora, ainda tinha que lidar com uma queda de pressão brusca devido ao susto do suposto noticiário local.

O susto foi suficiente para uma catatonia se apoderar de meu frágil-ser-físico-psicológico-emocional que me vi a olhar o sujeito fixamente, aguardando qualquer atitude mais que suspeita. Mas, o sujeito só queria trocar suas moedas, não! Na verdade, era uma forma intimidadora de pedir esmolas aos gritos, contando com o desespero alheio, com o terror psicológico. Uma intimidação desgovernada e desesperada do sujeito que não tinha completa noção do terror criado com o blefe contido naquela frase.

Ao ver a reação, ou melhor, a falta de reação das pessoas perante este sujeito, acredito que o próprio ficou perturbado ao se enxergar tão aterrorizante aos demais, parecia que não era essa a real intenção. Apenas parecia.

E então, voltei para minha reclusão dominical. Nada de quebra da inércia para possível espairecida. Espaireço no ostracismo.

por Tatiares

dimanche 28 juin 2009

Ondulatória reflexiva


Luz em uma manhã fragmentada.

Cortinas imóveis. Sombras intactas.

Reflexos contínuos de uma intenção velada.

Porta aberta. Porta fechada. Portas atadas.

Imagem repetidamente cercada.

Picos e vales. Amplitudes exaltadas.

Espelho côncavo de mim e convexo para o nada.

por Tatiares

mardi 16 juin 2009

Pulsares meus ares


Trocas de rimas e olhares
palavras à deriva
momentos inesperados
sons de cuíca.

Descartes apropriados
vida vivida
sensores congestionados
palavra perdida.

Sonhos contidos
inibição de paladares
tambores ouvidos
falta pulsares.
por Tatiares

lundi 15 juin 2009

vendredi 22 mai 2009

Vida por demais virtual


A luz se apaga lentamente à frente e o que está em cena é a carência revestida de supra sumo informativo... como se a vida fosse uma mistura de dizeres e ruídos e gestos para o ser ser sempre visto. Tanto se fala e se contrói pensamentos, diretrizes-visões, ideias-ideais, a vida...

A vida, aquela que acontece a todo minuto, a todo sentimento, a todo vazio, a toda falta, todos os dias e noites, todas estações partidas e chegadas... aquela que não está no reality show, não está no palco nem no twitter, nõ está no blog nem no currículo, a vida... os amores, as conversas de olhares e tatos, o frio no estômago, não porque alguém concordou ou discordou de um discurso, mas o frio causado por aquela vontade de se entregar ao outro e, por consequência, entregar-se a si, ao mais profundo de si, de nada vale os dizeres sem os sentires, de nada vale o virtual sem o real...

O real nas entrelinhas dos gestos, depois da cena, antes do discurso, de luz apagada, além do palco, de portas fechadas, no lado obscuro de cada dia, o real frente a tela ainda sem tinta, o clarão de pensamentos ansiosos de cada noite, o nu e real da vida.
por Tatiares

lundi 18 mai 2009

Ter certeza das incertezas

A certeza do medo perante o futuro incerto.
O presente concreto contra o futuro abstrato.
A abstração dos sentimentos alheios junto aos sentidos próprios.
Saber do que já aconteceu e pensar nas possibilidades do que irá acontecer.
E o melhor! saber que são inúmeras...
por Tatiares

mercredi 13 mai 2009

Le bleu-rose d'Amélie

Luzes amarelas se ascendem em postes cinzas, é o acordar da cidade para a noite enluarada.

Noite que começa com um pôr-do-sol-rosa-azul de nuvens espalhadas como vindas de um sopro de algodão-doce.

A cor do pôr-do-sol já mostra a chegada do inverno tropical de dias ensolarados com céu-azul-celestial e noites-frias estreladas.

Gosto do acordar automático da cidade ao fim do dia com sabor de começo dos momentos de prazer, pois à noite se pode mais, se tem mais tempo para admirar o que se gosta, se se permite mais vontades.

Antes tivessem os dias mais das noites, mais das vontades, mais do se permitir, mais dos pequenos prazeres d'Amélie. Gosto dos meus dias mais parecidos com noites-estreladas e nuvens vindas de um sopro de algodão-doce de um céu-azul-rose, como la vie en bleu-rose.
por Tatiares

mardi 12 mai 2009

Nota de roda-pé


Nota se anota no detalhe
no canto debaixo de lado
de canto remarcado
une remarque
Nota de roda-pé
ao pé escondido deitado
aos olhos dos curiosos
un rappel
apelo aos amantes do conhecer
sonoro aos ouvidos dos savants
une note de bas
embaixo
no pé da orelha do livro.
por Tatiares

mercredi 29 avril 2009

moça-velha

O Eu de uma moça olha atento uma velha do outro lado da rua. A velha já meio bangela espreitava, solitária, o movimento da ruela: cachorros, motos, pombos e gazelas.

A moça, ainda não bangela, ainda não solitária, mas já meio velha, contemplava o céu de uma noite amarela e luar novo, nuvens lacrimosas e estrelas velhas. Um armazém à esquina delas, vendia coisas novas e velhas, reunia, no fim da tarde, pessoas novas e velhas com sorrisos de sem graça, de sem jeito, de fato, conversas amarelas.

Talvez a velha já não percebesse mais o tom amarelado dos sorrisos e gestos, ou melhor, já não lhe interessava mais se eram novas ou velhas, as palavras delas, no fundo, só lhe importava as sensações encontradas em cada olhar. Foi assim que o Eu da moça viu uma moça-velha.
por Tatiares

mardi 14 avril 2009

Le color print temps


O só de um é a neve gélida do outro
como se fosse o sufocar de um grito
Pergunto onde está aquele lugar
de dizeres florais
ou mesmo o compartilhar de um vinho rouge.
Quero mais de um amor-surreal
amor que chega sem avisar
e atrai meus olhares e ouvidos
boca e coração.
Não! Não cabe o só em um nó romântico
há muita cor nesse nó que o só cinza
só pode se render!
Como a neve se rende às cores e perfumes
de uma primavera digna das tulipas holandesas
ou ainda dos jardins de Monet.
Quero ver ouvir viver
e vim para te querer.
por Tatiares

Choro-perdão

Um choro-canção embala um coração
lágrimas a lavar os olhos de uma alma
apertada e triste sentindo solidão.
Memórias de um querer que de tão doce acalma
querência que outrora fora fusão
agora busca o choro-perdão.
por Tatiares

jeudi 9 avril 2009

CéU celebra o belo do universo - Concrete Jungle (Bob Marley)



No sun will shine in my day today; (no sun will shine)
The high yellow moon won't come out to play:(that high yellow moon won't come out to play) I said (darkness) darkness has covered my light,(and the stage)
And has changed my day into night, yeah.
Where is the love to be found? (oo-ooh-ooh)
Won't someone tell me?'
Cause my (sweet life) life must be somewhere to be found -(must be somewhere for me)
Instead of concrete jungle (jungle!)
Where the living is harder (concrete, jungle!).
Concrete jungle (jungle!):
Man you got to do your (concrete, jungle!) best. Wo-ooh, yeah.
No chains around my feet,
But I'm not free, oh-ooh!
I know I am bound here in captivity;
G'yeah, now - (never, know)
I've never known happiness;(never, know)
I've never known what sweet caress is -Still,
I'll be always laughing like a clown;
Won't someone help me?
'Cause I (sweet life) -I've got to pick myself from off the ground
(must be somewhere for me), he-yeah! -In this a concrete jungle (jungle!):
I said, what do you got for me (concrete, jungle!) now, o-oh!Concrete jungle (la la-la!),
ah, won't you let me be (concrete, jungle!), now.
Hey! Oh, now!

Olhar


Observar
procurar entender
o que se passa
ou o que virá
as pessoas
as vozes
vem e
vão
como os olhares
perdidos
que buscam
palavras
não expressas
nestes mesmos
olhares
por Tatiares

mercredi 8 avril 2009

Earth Day - umbigo's Day - The planet dont need salvation, the umbigo's do!

As luzes se apagam!
Pessoas eufóricas agradecem pela salvação do planeta.
Agora que já fizeram suas boas ações do dia, por compensação, vão se permitir algum prazer.
Só espero que o desejo não demande muita energia, por favor!


por Tatiares

mardi 7 avril 2009

Les crayons de lumière



La vie, la beauté, la ternitude

les bateaux aux vents comme de caravanes.

Il faut qu'il ait de la solitude

solitude de la mer ...


L'automne des parcs et de fleurs rêvées

aimez vos livres êtres

la densité de nuages vert olive

comme les champs de blé

les rayons de lumière

les crayons de lumière


La lumière de la vie

les crayons et les rayons

la couleur des fleurs

le tout et le trou.
por Tatiares

lundi 6 avril 2009

Psicologia de um vencido - Augusto dos Anjos


Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

vendredi 3 avril 2009

Paradoxos viciosos


Muito se diz do pouco que se sabe
bactérias softwares e vírus
estratégias mercado e bolsas
valores morais e indivíduos
débito ou crédito?
cães ou gatos?
casa ou apartamento?
Estudar para oportunidade ter
dinheiro para aquisição de
bens status jóias e tecnologias
Ou religiões filhos e cursos para evoluir
espiritual e intelectualmente
jardim ou sacada?
peixes ou ramisters?
à vista ou no prazo?
bem estar para qualidade de vida ter
decoração artigos de luxo
cultura massas e drinks exóticos
Clássico ou da moda?
A estupidez, comme d’habitude, SVP!


por Tatiares

dimanche 22 février 2009

O grande cisco



Poeira metálica carbono aços itens sonoros
vento risco reta violetas formas
rodas cata-vento redes visuais
bloco guarda-chuva menino sozinho
todos mares pontes hidrogênio
nuvens algodão cinza-doce gostos
avião inox balões retalhos azuis
arranha trisca céu abril
ondas grandes radiofônico circos
por Tatiares

samedi 21 février 2009

1ª regra não concreta

O eu estático
em um mundo em movimento
demonstra a inércia das questões
as quais tendem a não serem resolvidas
apesar da necessidade de soluções
e ou de equações
que expliquem os fenômenos
os não concretos
os quais gritam por alguma
regra.
por Tatiares

Duelo doce-amargo


O vento quente que sopra já não mais aquece o sonhar daquele que um dia se viu livre e acreditou que poderia criar o que viria ser.

Agora, tendo a mente inquieta e os sentimentos apertados, o sonhador se vê à beira de querer o não-querer, sem querer; mas por duvidar da própria capacidade de resistência, pois até o querer está submetido a restrições.

A brisa leve que rondava o livre se confronta com dúvidas martelo, a mente já não se impõe como de costume e a alma segue o sentir de uma tragédia, no seu sentido dolorido.

Estabelece-se o duelo entre a descrença e a fé, ambas assombram o livre, aproveitando de sua tendência cética, aquela de se entregar a armadura antes que tenha que defender-se de seu próprio desejo velado, doce-amargo, querer-descrer.

O livre se vê como a própria conseqüência do movimento aleatório do ar que impulsiona um balão desgovernado na imensidão azul.
por Tatiares

mercredi 18 février 2009

O equilíbrio do não lógico


O equilíbrio psicológico, fisiológico, químico, lógico, ecológico, não lógico ou o da malabarista quando está na corda bamba, ou nós quando estamos na linha entre o real e o surreal, ou mesmo o equilíbrio espiritual, todos tão aclamados quanto o equilíbrio ambiental ou emocional.

Mas, de todos eles, vale lembrar o equilíbrio da embriagez salutar que, inicialmente causa um desconforto, seja emocional, neurológico, natural, espontâneo, imaginário, ilógico. Mas, sempre nos faz retornar às nossas cordas bambas, soltas e livres. Livres entre o real do mundo e o surreal de nós mesmos.
por Tatiares

“I've got life, I've got my freedom” to Nina Simone

Seria ela, livre?

O livre dentro dela não pede morada, poderia ser o livre dela sem ela ou fora dela. Ele talvez não quisesse pertencer a ela, talvez ele queira dar-se, apenas por companhia, por prazer em compartilhar o livre de se ser, o livre ser ela, sem ser dela, sem ser meu ou seu!

Ela gosta de poder olhar pela fresta da janela e sentir que ninguém percebe seus olhares e muito menos seu pensar, ou quando ela fecha os olhos para ouvir melhor uma canção e parece ser só a canção no universo. Estes são os momentos em que os dois, ela e o livre, estão mais próximos.

Ele gosta de existir nesta canção ou neste pensar, e de ir além, de subir num balão todo colorido, como se fosse feito de retalhos, e subir, subir o mais alto. Acho que para se distanciar do que, na realidade, não é real. Talvez para sentir a falta da gravidade, e mesmo assim o movimento dos astros. Para sentir a densidade do existir à beira de um buraco negro, que deve ser a mesma sensação de quando as idéias estão passeando na linha entre o real e o surreal. O livre pode ser inclusive livre dele próprio, livre para escutar o que os próprios ouvidos permitirem ou para falar somente o que a própria boca decidir ou mesmo, para ver somente o colorido, seja do balão ou dos astros, seja das flores ou das estrelas, seja de um sorriso, do sorriso dela e, assim, permitir-se a liberdade!

Sim, ela o é!
por Tatiares

Felizes e infelizes – Reverência à Clarice


Um tratado sobre a felicidade, acredito eu, deve ser algo complexo de se estruturar, por isso prefiro simplificar e torná-lo mais prático. Então, diria que existem os felizes e os infelizes, e digo mais, ambos sentem prazer em cultivar os sentimentos mais profundos.

Os felizes levam uma vida mais distraída, sem perceberem muito os aclives, declives e chiliques do meio ou do outro ou de si próprio.

Já os infelizes levam uma vida atenta, concentrada, densa em flashs e dizeres que não dizem muito, densa em fatos que não são atos.

E eu, neste meio, prefiro ficar o mais distraída possível, assim percebo os nãos, os olhares que dizem não ou os fatos que dizem não aos atos. Prefiro sentir o simplificado inesperado dos atos eles mesmos.
por Tatiares

Se existisse o Haver e nada mais...


Nem tudo que existe se explica, busca-se infinitas formas de compreensão do incompreensível talvez por comodismo, talvez por medo ou talvez por excesso de fé na lógica do compreender!

Se ao invés de entender, buscasse-se sentir mais o próprio existir, o ser seria vivido com uma intensidade tão vulcânica, como a profundidade de Clarice se sentir Macabéia, como o se superar de Zaratustra ou como a ternura do coração amarelo de Neruda ... e assim, apenas existiria o
Haver e nada mais.
por Tatiares

mardi 17 février 2009

O Poder da Leveza do sentir


De todos os sentimentos existentes, gosto dos mais verdadeiros, daqueles que vêm primeiro, junto com o frio no estômago. Mas, sabe-se que este frio vem do calor do sentir, do sentir perto, sentir longe ou sentir querência dos sentidos.

Às vezes, nas conversas com o universo, pergunto aos deuses como é o não sentir, como é o não desejar ou o não querer. Um dia eles disseram algo interessante. Disseram ser isso invenção humana, que no fundo não existe. Perguntava-se como, como não existe? Se se sente, é claro que existe! Nós, humanos, criamos o sentir, o desejar, o querer, o querer bem, o querer de qualquer jeito! Mas, também pensei no quanto esse sentir era colocado de lado, era abafado, era desprezado, era levado na graça ou não sentido... Não sentido por nós, os seres criadores do sentir que ignoram o sentir de verdade.

Talvez isso fosse influência dos deuses, os deuses que já não sentiam nada! E fiquei meio de mal de todos os deuses por acreditar que eles se colocavam num nível existencial à cima do nosso, já eram a nadificação do próprio ser.
por Tatiares