mercredi 28 décembre 2011

Dans le même toit





Dans une même station
satellite insolite de moi même

(...)

un miroir en train de me voir
complètement en delay du rythme du monde entier 
| toi |



por Tatiares

photo - Chagall ... sur le toit

mercredi 21 décembre 2011

Flu-tu-ar

Vozes e línguas,
algumas incompreesíveis aos ouvidos nus.
 Vulto branco esfumaçado todo desfocado
— neblina, vapor d’água, tudo embaralhado.
 Um dia, assim, parado.
as coisas também tiram um tempo de descanso, e
repousam-se no flutuar do ar gelado.


por Tatiares

lundi 12 décembre 2011

Baile dos fios elétricos

Ao balanço dos fios elétricos
no caminhar do trem
um dançar repetitivo, cheio de ...

Naquela trilha sonora, desenha-se
traçados pretos no fundo azul
de um céu francês.

Nuvens supensas à rigoler d’un jour
assez besta.

E eu, nesse meu indo e vindo
sem muito sentido
sem quase nada sentindo.

 
Bon, allez, viens !
Au moins, on sent le vent.


por Tatiares

mardi 15 novembre 2011

Faites attention

'e qualquer desatenção...'

Eis o que vejo:

o mundo está carente de atenção
o mundo só quer falar
carrega o peso de ser
fora do centro de gravidade
apoiado em gambas bambas.
O mundo não está atento
no esforço quotidiano desse girar eterno
desse pequeno e ínfimo ponto
nada visível a alguns anos luz
no vasto e ambíguo não —
não ser o mundo.
Egoísta mundo
                   Faz a tensão.

por Tatiares

mardi 11 octobre 2011

Prece

Que a vida consome aquilo que a alimenta,
já disse o poeta dos poetas,
a alimentar a vida com poemas,
como as folhas pelo seu xilema.

Pelo fio contínuo — inspira e esquenta.

(...)

 No agir da vida se faz ela sendo sua —
mesmo que tudo pese, même quand la vie n’est plus à l’aise.
Moi, toi, on veut de la vie dans un champ de fraises,
toda a grama qui pousse e uma árvore que cresce.

 Preze.

por Tatiares

vendredi 30 septembre 2011

brevidade

A manhã clara en tête
de uma brisa fraîche
dans les oreilles, Mulatu Astatke...
um supense em aconchego breve.

O ciclo em seu reciclo retorno.
Outono
(...)
Tudo antes verde agora em tom
                                        dourado envelhecido
faz-se velho pelo passo no tempo
a regenerar-se.

Outra manhã bête
da brisa agora, leve.

por Tatiares

lundi 12 septembre 2011

Vem diplomado na próxima encarnação?

Ter o quê? neste mundo passageiro…
estamos aqui de passagem e mesmo assim,
mesmo com tão pouco tempo frente ao tanto que se pode querer,
                                                                                              ser
mesmo assim,
escolhe carregar coisas e culpas e mais coisas,
mesmo assim, com tanta atitude ruim,
compensa a balança colocando mais peso,
novos truques ditos tecnológicos, ‘haute gamme’
que mostra bem o salário que tem,
sem ninguém perguntar.
Dizem que não têm opção:
Que pra se dar bem na vida,
tem que ralar, tem que querer mais que os outros,
demonstrar interesse e ser sério 
                                                  (sem se dar conta da direção do vetor)
e se colocar na posição — sem saída,
como se isso não fosse escolha, porém, saibam:
isso também é uma escolha;
daquelas bem do tipo, os outros, que estão no inferno,
                                                               que se virem.

O jovem engenheiro com enorme potencial, (ideologia?)
chega afoito em busca do salário, e de muito trabalho...
                                                            porque está fazendo a sua obrigação,
                                                                                               no mundo cão.
                                                                                             Cheio de ilusão.
Você acha muito trabalhar 9h por dia? Perguntaram.
— Sim, acho brutal, e eu trabalho menos porque alguém precisa ser resistente
                                                                         pra lembrar aos outros que a vida passa,
                        o modelo de eficiência te esgota, te massacra, te usa e depois te rejeita.
                                                                                          E o diploma não é sinônimo de
                                                                                                         evolution, baby!
Ou vai dar carteirada na próxima encarnação?


por Tatiares

vendredi 9 septembre 2011

Semear o permear

O esforço nas costas da pilastra que edifica.
A ponta de uma agulha a trilhar os sulcos.
O moderno do tempo que passa rápido demais.
Tudo isso a afetar a mim e a todos;
a necessidade de sentido ao redor de cada dor.

L’or qui est aussi précieux que les choix,
só si se sabe do valor a dar,
e cada qual com seu aval — unique.
Je ne me demande pas si tu as bien choisi,
                                                              (je te fais confiance)

Alors, por que o porque dos meus porquês?
Ofereço meus porquês ao universo
                                                  na ânsia de contribuir e ir.

Das possibilidades, fazer o oportuno —
                                                           triunfo daquele que não tem medo
                                                                         nem de si, nem do mundo.
Medo tenho é da bobagem em escolher um lado, um exército,
                                                                          pra lutar por
                                                      que não seja o bem maior.

Digo não a qualquer exército: seja de artista, pedreiro, engenheiro,
                                                                           cientista, sapateiro,
                                                                     comunista, maconheiro,
                                                                        colunista, corriqueiro,
                                                                        capitalista, inzoneiro,
                                                                                rico, maloqueiro,
                                                                             indie, empreiteiro.

                         Não tenho grupo — permeio.


por Tatiares

jeudi 1 septembre 2011

Ciclos



Induzia, por assim dizer,
a chuva que assistia…
da janela e por entre as folhas
das linhas paralelas em árvores
via a via férrea.

Som de gota d’água
em metal sustenido
um vendaval no sossego do meio da tarde
(...)
cabelos e folhas aos pequenos rodeados tornados ventos...

sabia que tudo rodava mesmo
é meio que um princípio da existência
giratória história
presente-futuro-memória.

por Tatiares

mercredi 24 août 2011

De uma chama

Guindastes suspensos, fios extensos
paisagem urbana aos oito ventos
de um infinito enquadramento
submetido ao meu ver...
e vejo.

Detalhes, partículas pequenas,
em suspensão
numa solução bifásica
dinâmica, ardente e mutante...


e mudo.

Subjetividades sem fim
moinho imenso
vista pra dentro, no fundo
adentro...


à la résilience
de tout les liens cachés
enfermés et pourris…

e chamo.


por Tatiares

mercredi 17 août 2011

Fragmento do 'Poema sujo' - Gullar

'... que dizer da circulação
da luz solar 
arrastando-se no pó debaixo do guarda-roupa
entre sapatos?
                       e da circulação 
dos gatos pela casa
dos pombos pela brisa?
e cada um desses fatos numa velocidade própria
                 sem falar na própria velocidade
que em cada coisa há
        como os muitos
sistemas de açúcar e álcool numa pêra,
         girando
todos em diferentes ritmos
                                         (que quase
se podem ouvir)
                          e compondo a velocidade geral
que a pêra é
do mesmo modo que todas essas velocidades mencionadas
                   compõem 
(nosso rosto refletido na água do tanque)
o dia 
que passa
...'

mardi 16 août 2011

e quem quer ver





do nada muitas vezes morto
abosrto no emranhado interno
Intrínseco ao  indivíduo...


neblina envolta aos olhos
vê-se o que se consegue ver
cresça frente à névoa, diz
e se faz fiel ao passo...
1
2
...
3
.
.
.
infinitos e quantos necessários ao :


Cê-si.


por Tatiares

lundi 8 août 2011

Believes


Pode até ser que querem a mesma coisa…
acreditamos, sim queríamos se quiséssemos.
...e o quê poderíamos fazer?

What could I do for you? Do you really know?
What do you want from me besides my incomprehension?
… my dark thoughts after a nonsense word?
… all my sorrow, my misery?
Qu’est-ce que tu sais à propos de mon amour ?
L’amour, mon amour, ça te va comme ça ? ça suffit ?
Pas pour moi, l’amour ne me suffit jamais,
 il me faut toujours plus…

Mais amor, se há tanto amor,
Sobra amor pr’além das intimidades déjà existentes?
Porque ter intimidade com o que se cresce com, é fato,
agora, ter intimidade com o que se escolhe com, isso é arte,
demanda criação... querência, e nunca basta,
precisa d’arroser todo dia, saborear todo bendito dia.

Só assim há de haver crença
no além desse mesmo dia.
... e o quê podemos fazer?

por Tatiares

vendredi 5 août 2011

O oco

Flutuava ao vento
como um lenço de pano
todo colorido
a dançar no vazio.

Ao fundo
os violinos esguios
de Deer Stop do Goldfrapp
ao vento
lento
amplo
compreendido...
perfeitamente compreendido.

Vi o oco.

por Tatiares

dimanche 31 juillet 2011

Reação de runaway

O alquimista calado
preenchia o cadinho
com alusões e sinais.
(...) 


observava o salto
e supitava a cabeça com todo o papo.


Era muita incompreensão sobre o mecanismo reacional e,
perguntava-se: interação? relação? variação? emoção? ...
... e o calor aumentava e afastava toda e qualquer...
toda e qualquer ilusão.


Eram vozes, vozes de uma garganta furada
a derramar palavras num fluxo repetitivo
em direção ao chão.


por Tatiares

samedi 30 juillet 2011

Bonjour

Na batida do dia
uma noite calada;
uma vida se esvaia
na luta inútil
por aquuilo que num dia, queria.

Do aperto da falta dos mais próximos: saudade!
compressão de um peito
na ânsia pelo teletransporte:
só assim pra ver o mundo tão real e vivo
além desse mísero: bom dia.

Sou um ser vivo no mundo e,
do mundo quero as vistas,
todas nuas e em carne viva,
próximas, no meu olho nu.

Alguém consegue ver as cores
dos realces em torno
do vazio
do próprio ego?

Na batida saculejada do dia,
me calo pra noite: la belle noire;
e busco as cores
na psicodelia de minha mente
afetada com toda a beleza do mundo,
do mundo em si,
do de Pablo, de Clarice, de Paulo e de José Ribamar,
todos a amar a vida
mesmo depois do chute na cara,
da escarrada do céu,
da realidade imensa e abrupta,
do fel ainda morno,
do suposto afago do véu,
das malediscências encobertas,
da falta de vontade de tudo.

E, por fim...

Na batida atormentada do dia,
depois,
bem depois...
trazer a noite
na calada tardia e,
florescer com palavras
do bruto solo
a nutrir as tortuosas raízes
pelas seivas açucaradas,
e, assim,
trucidar o dia,
quando este for um mal dia.


por Tatiares


Haikai IV - Saudade

Como me sinto?
Desminto aquele mito.
Tu me manques: é isso.

por Tatiares

jeudi 28 juillet 2011

Portishead - The Rip


As she walks in the room
Scented and tall
Hesitating once more
And as I take on myself
And the bitterness I felt
I realise that love flows

Wild, white horses
They will take me away
And the tenderness I feel
Will send the dark underneath
Will I follow?

Through the glory of life
I will scatter on the floor
Disappointed and sore
And in my thoughts I have bled
For the riddles I've been fed
Another lie moves over

Wild, white horses
They will take me away
And the tenderness I feel
Will send the dark underneath
Will I follow?

Wild, white horses
They will take me away
And the tenderness I feel
Will send the dark underneath
Will I follow?

mardi 26 juillet 2011

Sartrídico

turbilhão plácido 
vento asneiro
dias en continu
suingue violado-eletro
sem conversa
nem rebolado...


ânsias de celebridade
faz esquecer do celebrar
do quasi-vivo momentum
e se prende 
a implorar
os olhares 
do inferno dos outros.


por Tatiares



dimanche 24 juillet 2011

To slide

Em algum túnel de velocidade flutuante
você rodeava em palavras o que eu sentia.


Barcos, canais, a água,
vagas ondas
a levar mágoas dos lugares mais secretos,
movimentando os musgos verdejantes
dos braços dos rios, das gavetas da mente, 
do fundo dos sentimentos sombrios.


No caminho da estrada,
a rota é contínua e rente
e, talvez por isso,
fazemos dos delays: déjà-vus constantes;
pois, no fluxo d'uma embolada,
aquilo que nos agrada,
do momento, a sacada:
nos pertence.




por Tatiares

jeudi 7 juillet 2011

Cotidiano

Nas cores de um dia duro
boro, sódio e água
se fazem em branco
alcalinidade numa tarde cheia
de seu âmago incerto e mudo nos sentidos.

A balançar, a cidade me motiva
ver derrière les montagnes
do alto das questões ao lado dos tormentos
o vento a lamber as folhas do exterior
árvores de dúvidas ramificadas, finas
tramway de trilhos quebrados, apesar de paralelos.

Respostas básicas supririam a pergunta
sob o sol das frutas de um julho assim suculento?

Quando se sentir sinistro,
apita pro ar em movimento,
mostra a pele oxidada,
sulga o gosto do próprio veneno
pra imunizar da mordaça
à guérir o luto
entraganhado no gás denso e,
danse para as cores de um dia tenso.


por Tatiares

mardi 5 juillet 2011

Alarme


Sirenes alertam…
Todos em direção – procedimento de segurança.

É treinamento!

Mas os treinos são nas quintas, no horário do meio do dia!
 
Acidente?
Acidente nuclear? Técnico?
Vazamento de gás?
Máscaras? Onde?
Andar em grupo, avisar os outros.

Erro técnico – a sirene tocou sozinha....
Verdade? Mesmo? Quem garante que não era mesmo um acidente?

Presente, na retomada do que se estava a fazer,
continuar... na esperança de que disseram a verdade, e
"tem que rezar todo dia, pra gente nunca virar alvo de uma missão humanitária aliada."

 por Tatiares

mardi 21 juin 2011

Impermanência

‘o que tem que ser, tem muita força’


seja dito, o dito popular,
cheio de crenças  esperançoso.

se desprendido de expectar
desesperadamente, sem esperar
um vento forte leva e trás
poeiras, amores e sais.

ao se edificar todo o casebre
com areia, pedra e ramos silvestres,
bem se sabe:
depois da ventania,
da ressaca do vento, do mar;
bem além da maresia,
nada perdura neste lugar.


por Tatiares

'enquanto o caos segue em frente com toda a calma do mundo'


Sereníssima [Legião Urbana]

vendredi 10 juin 2011

comunicação direta


Eu não acho mais graça nenhuma nesse ruído constante
que fazem as falas das pessoas falando,
cochichando e reclamando,
que eles querem mesmo é reclamar,
como uma risada na minha orelha,
ou como uma abelha, ou qualquer outra coisa pentelha,
sobre as vidas alheias, ou como elas são feias,
ou como estão cheias de tanto esconderem segredos
que todo mundo já sabe, ou se não sabe desconfia


Eu não vou mais ficar ouvindo distraído
eles falarem deles e do que eles fariam se fosse com eles
e o que eles não fazem de jeito nenhum,
como se interessasse a qualquer um.


Eles são: as pessoas, todas as pessoas, fora os mudos.
Se eles querem falar de mim, de nós, de nós dois,
falem longe da minha janela por favor,
se for para falar do meu amor.


Eu agora só escuto rádio, vitrola, gravador.
Campainha, telefone, secretária eletrônica eu não ouço nunca mais,
pelo menos por enquanto.

Quem quiser papo comigo tem que calar a boca enquanto eu fecho o bico.


E estamos conversados. [Arnaldo Antunes]

mercredi 1 juin 2011

descampado


um mundo que passa, campos, fenos e afins
isso bem mostra o descampado
nu, inteiro nu d'um mundo

nuvens cumulares num céu de empuxos
ao mesmo tempo, fluxos sanguíneos
deslocados, quasi aéreos
pelas alturas, se levando...
fluir em um laissez tomber
todo independente do abissal
descomunal espaço entre
o mundo.



por Tatiares



mardi 24 mai 2011

sombra fractal

imagem de um caleidoscópio vazio

fractal de uma esfera − apenas no plano imaginário
facetas múltiplas de um factual regarde
Qu’est-ce que je vois vraiment ?
a luz, l’ombre et toi ?


um caleidoscópio vazio, também faz imagem.
Où ?
Dans l’imaginaire ordinaire ou na realidade alterada,
tudo se completa e, nem sempre, ela é contemplada.
Há algum tempo, são as palavras que se escolhem −  por si próprias,
autônomas, bem livres.


Et, moi ? Je sombre.


por Tatiares

lundi 23 mai 2011

As Coisas Secretas da Alma

 Em todas as almas há coisas secretas cujo segredo é guardado até à morte delas. E são guardadas, mesmo nos momentos mais sinceros, quando nos abismos nos expomos, todos doloridos, num lance de angústia, em face dos amigos mais queridos - porque as palavras que as poderiam traduzir seriam ridículas, mesquinhas, incompreensíveis ao mais perspicaz. Estas coisas são materialmente impossíveis de serem ditas. A própria Natureza as encerrou - não permitindo que a garganta humana pudesse arranjar sons para as exprimir - apenas sons para as caricaturar. E como essas ideias-entranha são as coisas que mais estimamos, falta-nos sempre a coragem de as caricaturar. Daqui os «isolados» que todos nós, os homens, somos. Duas almas que se compreendam inteiramente, que se conheçam, que saibam mutuamente tudo quanto nelas vive - não existem. Nem poderiam existir. No dia em que se compreendessem totalmente - ó ideal dos amorosos! - eu tenho a certeza que se fundiriam numa só. E os corpos morreriam.

Mário de Sá-Carneiro, em 'Cartas a Fernando Pessoa'



dimanche 8 mai 2011

parangolés d'imagens



de um parangolé 
todo samba no pé
de verdade em verdade
nada de fato o é


o dito 'cult' do momento
o visto
o badalado
o famoso
o bem frequentado


e tem muita gente 
achando que vida é imagem


e o que será que essa gente sente 
quando olha pra dentro...
cadê a semente?


 claro que mente
põe rolha na nascente
e segue a vida
às enxengentes.


oh! gente!


cadê o parangolé de verdade?
aquele da livre expressão
e quebra da intelectualidade?
aquele mais perto da realidade!


cansei de tanta imagem.


Tatiares