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Faro meu

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O inesperado à porta cães selvagens à espreita me resguardo ao vento, brisa que me sustenta desenrolo os nós das expectativas apesar de previsível, sucumbo! Redemoinhos emotivos, perigo farejado me entrego e fujo. Também posso ser selvagem por natureza. por Tatiares

As cores do cinza

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Do imenso todo azul do céu ao crepúsculo refletido em fitas aleatoriamente listradas. A cor das nuvens outrora cinzas, agora reluz a força vibrante do se querer colorido do se querer belo. Tons coloridos como tecidos da Caxemira se sobressaltam ao horizonte entre o azul e o avermelhado, o rosa mais vivo enrubrecido num dégradé envioletado que até o cinza se torna cor! foto: por Tatiares

Fragmento d’água viva – Clarice Lispector

‘...Mas, eternamente é palavra muito dura : tem um « t » granítico no meio. Eternidade: pois tudo o que é nunca começou. Minha pequena cabeça tão limitada estala ao pensar em alguma coisa que não começa e não termina ― porque assim é o eterno. Felizmente esse sentimento dura pouco porque eu não agüento que demore e se permanecesse levaria ao desvario. Mas a cabeça também estala ao imaginar o contrário: alguma coisa que tivesse começado ― pois onde começaria? E que terminasse ― mas o que viria depois de terminar? Como vês, é-me impossível aprofundar e apossar-me da vida, ela é aérea, é o meu leve hálito. Mas bem sei o que quero aqui: quero o inconcluso. Quero a profunda desordem orgânica que no entanto dá a pressentir uma ordem subjacente. A grande potência da potencialidade. Estas minhas frases balbuciadas são feitas na hora mesma em que estão sendo escritas e crepitam de tão novas e ainda verdes. Elas são o já.’