O Eu de uma moça olha atento uma velha do outro lado da rua. A velha já meio bangela espreitava, solitária, o movimento da ruela: cachorros, motos, pombos e gazelas. A moça, ainda não bangela, ainda não solitária, mas já meio velha, contemplava o céu de uma noite amarela e luar novo, nuvens lacrimosas e estrelas velhas. Um armazém à esquina delas, vendia coisas novas e velhas, reunia, no fim da tarde, pessoas novas e velhas com sorrisos de sem graça, de sem jeito, de fato, conversas amarelas. Talvez a velha já não percebesse mais o tom amarelado dos sorrisos e gestos, ou melhor, já não lhe interessava mais se eram novas ou velhas, as palavras delas, no fundo, só lhe importava as sensações encontradas em cada olhar. Foi assim que o Eu da moça viu uma moça-velha. por Tatiares
Gostei muito, parece que estou assim estática num mundo que se move ora mais rápido ora mais lento... querendo cada vez mais de mim.
RépondreSupprimerMe lembrei do seu aniversário! Felicidades.
Ana Paula
Oi Ana, obrigada pelo cometario! Esse poema tem anos e anos, acredita?! Estou colocando em dia as coisas guardadas no fundo das gavetas secretas que temos nos espaços de tempo do percurso da vida!
RépondreSupprimerbjão amiga.