mercredi 23 juin 2010

Acorda?


Acorda, levanta e senta, cadeira espreguiça e aguenta.
Vontade passa, sede evapora, fome devora e também passa.
O sol lá fora, a queimar ilusões e gramas,
a irradiar reflexos frustrados de flores em branco e preto.

Frestas metálicas em pois envelhecido não permitem o alcance desejado,
um caminhar que não existe, exceto para as formigas e migalhas.
Um rouxinol equilibrado no fio elétrico, sem canto,
encantoado pela fumaça e pela preguiça.

Já os automóveis, ah! esses nunca têm preguiça de nada,
andam e batem pernas sem nem saber pra onde,
apenas vão!
São a forma de vida predominante por aqui.

Num sonho vivo, nada de carros nem de preguiça.
Andanças, danças e coisas do gênero enfeitam a paisagem.
É o movimento encaixado ao som de tudo aquilo que não se define,
e que se sabe, se gosta, se delicia, se morde, se come e se goza.


por Tatiares

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