samedi 28 août 2010

Nos ares do sertão da farinha podre

Clima de um tempo com ar de parado
nem ensolarado nem chuvoso
sombras bem concretas a poupar o fôlego.


Movimentos repetitivos sem muito avanço, 
mais manutenção do viver que o viver propriamente dito.


Inspiração? tá sempre aí, ali... tá faltando é vontade.
Mas, se tá difícil até de respirar, imagina inspirar de verdade?


por Tatiares

vendredi 27 août 2010

Le chat noir

Ilustração de Harry Clarke para o conto 'The Black Cat' de Edgar Allan Poe

'...I had walled the monster up within the tomb!'

lundi 9 août 2010

Vidění

Telhados avermelhados,
paredes e muros cor de barro,
sinos e torres escurecidas,
luzes amareladas ao sons de violinos.
Atravesso a Náměstí Republiky.
Vejo e respiro meu ser em tcheco: být.

(...)

Adentro ao castelo,
escolho um caminho denso,
de escadas estreitas,
degraus irregulares.
E na falta de ar,
me revelo ao alcançar o mais alto da torre.

(...)

Consigo ampliar o meu olhar,
vendo o céu bem mais de perto,
sentindo o espaço ao meu redor,
provocando meus fantasmas,
encarando os gárgulas de frente.
Jamais de baixo.

por Tatiares

mercredi 4 août 2010

Mulher? Moderna?

Virei pra ver o outro lado, o lado de lá,
toda a conexão desconecta e disléxica,
um mundo inteiro a martelar e picotar cabeças.


E tem quem pense que a vida é uma bagunça só!
Só é porque sacodem o balaio todo melado.
Quer porque quer e nem sabe o quê de fato,
pode ser mesmo a superficialidade, coisinhas falsas e carentes
com suas faces pintadas e sujas, sem rugas e cheias de nesgas,
vadias e queridinhas, oh, babies ocas...


Todo um mundinho pequeno
do tamanho da vontade de se entender mulher,
entorno de adornos frívolos,
tudo pela tara de ser La femme fatale,
a se mostrar pra todos, menos pra si.


Amor? Nunca viram. Só escutaram falar.
E acham que a vida é assim mesmo, bandida.


por Tatiares

dimanche 1 août 2010

As farsas das 1001 noites

Suspense em ar denso, fumaça e artilharia,
trombetas anunciando o pegar fogo do sol depois do meio do dia.
Adiante, planícies efeitadas do mais belo verde se imagina,
e o que se vê é o campo de uma batalha vespertina.

Respiração: acelerada, apavorada,
como se um exército inteiro marchasse pelas veias e nervos
acompanhando o reverberar dos violinos triunfantes,
ofegantes e militarescos.

Lágrimas exaltadas das mil e uma noites de Korsakov.
Nada de ternura em sonetos.
Agora, o andantino de Scheherazade é um quasi allegretto,
e que fique claro, quasi é como pseudo — uma falsa alegria.

Palavras outrora esmeraldas, por hora pedra barata,
Nada lapidada.
Já não são mais os contos que se conta,
mas as farsas das incontáveis noites despedaçadas.

por Tatiares

Panorâmica rasa

Um sobrevôo avista o horizonte
e pergunta onde é que isso vai dar.
Num rodopio rasante tem o chão como teto
e o teto, quê teto?
Aquele telhado colorido das casinhas da infância,
com uma árvore que faz companhia à porta,
e tinha o caminho todo florido.
Belo sonho derretido, invertido e partido.
Já não se faz sonhos como antiguamente,
porque ensinaram a não sonhar com o que é difícil!
Mexe muito com a gente, pede mudança e
ainda por cima dá um medo enorme.
Calafrios na vista ao redor do futuro,
perturbações contidas dentro do muro,
explosões ardidas sem rumo.
Se algo aí dentro ressoa, fica aí dentro mesmo,
entope e sana o fluxo!
Faz de conta que é outra coisa e vai,
vai, agora, vai...
Quem sabe tudo se transforma aos olhos dos observadores,
talvez até passe desapercebido e fica tudo indefinido,
apenas indo.

por Tatiares