mercredi 19 janvier 2011

Pluralidade contida

Louca luta, boca língua nuca.
Das desventuras dos homens e seus arrojos
nos andares pesados, firmes pés e calos
óculos na cara, cabelos escuros, olhar sério
‘eu adoro o mundo civilizado’.

Pré-ocupações pairam
sobre cabeças e ombros
sentados em bancos
apoiados em suas dores.

Das imagens cheias de falas
aos murmúrios calados
aos trancos…
e analgésicos
‘não me toque nessa dor’.

 
En fait, não procure a dor,
ache a cura: uma sincera luta.
Calar-se frente ao mundo, nunca.


« la société ne fait-elle pas de l'homme suivant les milieux où son action se déploie autant d'hommes différents qu'il y a de variétés en zoologie » Le père Goriot - Balzac


por Tatiares

mercredi 5 janvier 2011

ANTICONSUMO - Ferreira Gullar

Como vai longe o dia, Maninho,
em que a gente podia ser comum

Entre ervas burras, folhas molhadas de mamona
e salsa
a gente podia ser
simplesmente
nossas mãos nossos pés nossos cabelos
e o que queimava dentro
no escuro

Como vai longe o tempo como as águas
batendo na amurada
alegremente
como os peixes
vivendo no seu músculo
o mistério do mundo
 
do livro: Dentro da noite veloz

dimanche 2 janvier 2011

Tô me guardando pra quando o carnaval passar

Neste inverno do tempo
do natal e seu relento
de um cinza que resiste
e insiste (...)

Nas paisagens de uma natureza quasi-morta,
cesta de frutas vazia, sem amora.
Aquele brilho opaco de um esmalte gasto,
de vida gasta, galho seco e mata como pasto.

De um janeiro sem explicação,
interior sem verão, réveillon sem rojão,
─  vasta solitude em vão!

E esse clima de ano novo nas redondezas,
felicidades empostadas,
remendos encombrindo as tristezas.

E dizem que isso dura até depois do carnaval...

por Tatiares