jeudi 22 juillet 2010

Tendências

Vem de longe e chama gente de tudo quanto é lugar.
Vem sem pressa de ficar,
afoba todo mundo e nem atenção tem pra dar.
Já chega tomando espaço,
num espaço que não é de ninguém e de todo mundo ao mesmo tempo.

Sai na rua sem muito rumo, lugar comum cheio de coisas inúteis e coloridas.
O negócio é fazer barulho e vender bastante, movimentar o local...
pra dar giro, sabe?
Se não tem a encomenda, manda buscar.
E logo, vai rápido, senão o comprador desiste!

Desiste nada, vai comprar outra coisa em outro lugar.
Não importa mesmo, o que todo mundo quer é comentar.
E, pra comentar tem que tá por dentro dos assuntos.
Tem que saber do ti-ti-ti,
do burburinho sobre o frisson de coisa alguma.

É igual a bula na capa da revista:
Dieta que seca, farinha que não dá fome,
Bolo tentação que aumenta o nível de serotonina,
e depois ainda explica como perder 13 kg em 10 dias e
qual o melhor tipo de brinco pra cada formato de face.

Só que esqueceram de propósito as contra-indicações:
diminuição da capacidade cognitiva,
dificuldade em operar máquinas,
confusão psicológica com transtorno emocional,
impossibilidade de decisão e esquizofrenia.

Por Tatiares

lundi 19 juillet 2010

Alguém nunca, sempre ninguém

A culpa não é sua
ela também não é minha
ela é de alguém
e ninguém assume a culpa.

(...)

Mas alguém não.


por Tatiares

lundi 12 juillet 2010

Possibilidades

No passar do trem, outro trem vindo.
Caminhos — trilhos de ferro, madeira e barbante pensativo,
meditava a vida figurando a paisagem.

Campos e imagens nas telas visuais em comum,
em comum havia os sons interiores e esses não existiam expressos,
guardavam segredos junto das fitas coloridas e dos papéis de carta,
ambos em processo de extinção pela modernidade da vida.

Ao passar das estações, mais cheganças e andanças,
cada um no próprio ritmo,
e nenhum no ritmo da dança das nuvens,
espetáculo a céu aberto sempre visível das janelas,
algo comum e quase nunca visto — os fenômenos.

Ao chegar, da viagem ressaltava o cansaço e o tempo perdido,
pessoas apressadas, ocupadas, mimadas no mal sentido.
O que elas almejam? o destino ao desatino,
entupir os canais perceptivos do cérebro de ruídos e comparativos,
e claro, ter o look do momento, igual da fulana da TV.

Mas, e se desligasse a TV?
E se passasse cotonetes nos ouvidos e nas conexões sinápticas?
Se escutasse mais o vento, o silêncio e o que dizem as corujas e os gatos?
E se os astronautas tivessem ido à lua,
o que nos contariam sobre o silêncio e a falta de vento?
E se...?



por Tatiares